segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
"Não sei por onde vou, sei que não vou por aí..."
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se os ouvisse
Quando me dizem:"vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
-Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que repetis:"vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados,ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre,nas vossas veias, sangue velho de avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide!tendes estradas,
Tendes jardins,tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras,e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca princípio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí.
José Régio in "Cântico Negro"
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you just might find
You just might find
You get what you need (...)
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O teu sorriso
Hoje estou tão feliz!
Basta olhar para esse teu sorriso luminoso,
ouvir o teu riso expontâneo, directo, e sincero
Não há nada melhor no mundo!
Tudo o resto fica tão pequeno, tão insignificante
Só o teu riso solto tem esse poder
essa magia, essa certeza
Ao vê-lo e ouvi-lo, e a olhar para ti
Sei que tudo está bem
Nada como o teu sorriso,
Nada como o teu beijo,
Para tudo o resto ser paisagem
Com ele, é fácil estar em Paz
Com ele, é tudo tão simples!
Não deixes nunca de sorrir, minha princesa!
Muitos Parabéns, minha pérola preciosa!
Amo-te mais do que tudo, nesta vida!
e Adoro-te incondicionalmente
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Resposta à pergunta mais vezes feita: Como manter o amor?
- Como se faz para manter um amor?
A mãe olhou para a filha e respondeu:
- Pega um pouco de areia e fecha a mão com força...
A menina assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia com a mão, com mais velocidade a areia se escapava.
- Mamã, mas assim a areia cai!!!
- Eu sei, agora abre completamente a mão...
A mocinha assim fez, mas veio um vento forte e levou consigo a areia que restava na sua mão.
- Assim também não consigo mantê-la na minha mão!
A mãe, sempre a sorrir disse-lhe:
- Agora pega outra vez um pouco de areia e mantém-na na mão semi-aberta, como se fosse uma colher... bastante fechada para protegê-la e bastante aberta para lhe dar liberdade.
A menina experimenta e vê que a areia não se escapa da mão e está protegida do vento.
- É assim que se faz durar um amor...
Se você quer muito alguma coisa, ou alguém deixe-a livre. Se ficar, é e será sua para sempre, se não ficar, é porque nunca foi sua de verdade...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Para ti, minha princesa!
E assim foi, mais um fim de semana.
Foste minha, só minha. Que delícia…tão bom!! Fizemos um doce, sujámos a cozinha
Brincaste tanto! Mostraste-me os trabalhos de casa, já todos feitos, mas que responsabilidade…estás tão linda! Não largas o computador, e esse jogo tão viciante que descobrimos nas férias! Tão boas! Em família! Tão esgotantes e reconfortantes!
Gosto tanto de ver esse teu sentimento cada vez mais forte e crescente pela tua “mana”, que perguntas por ela, pela sua presença, a cada dia que passa, que tens vontade de estar sempre com ela! que com ela, aprendes tanto, mas tanto…
Obrigado à “mana” pelo tempo, paciência e palavras sábias, nos momentos certos…e sobretudo pelo amor, que sei, é recíproco
Gosto tanto de ver o teu à vontade, e a tua cumplicidade cada vez maior, com o teu padrasto (nome que nunca usamos). De como gostas de nos ver juntos, de como gostas de estar com ele, genuinamente!
Gosto tanto de ver e de sentir que estás cada vez mais próxima do teu Pai, e saber que de algum modo, eu tenho contribuído para tal
Que te adaptaste ás mudanças, e que estás a ter um crescimento humano e emocionalmente saudável
Nestes dois últimos anos, cresceste tanto, percebeste e compreendeste tanta coisa…
Olho para ti e digo-te: Sabes que te amo muito, minha princesa? e tu respondes..sei mamã, já disseste tantas vezes!!... É para não te esqueceres, respondo! E tu dizes: “És a minha mamã de estimação”…
Encho-te de mimos, de beijinhos! Tu abraças-me forte! E dizes para me deitar no teu colo, que também me fazes festas! E fazes! Tão boas! Tão bom.
São tão importantes estes momentos. Só nossos. Tão especiais. Tão únicos
para os guardar e lembrar nas alturas em que não te tenho….
São momentos das duas, só nós, com as nossas conversas, as nossas brincadeiras, as nossas estarolices, as nossas cumplicidades,
Meu Deus como te amo, meu tesouro, minha princesa!
Com este amor único, enorme, doentio, exagerado, sem medida, mil vezes mais do que te sei dizer, mil vezes mais do que te sei mostrar, e todo TEU!!!!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
"Lua de mel, Lua de Fel"
Após alguns anos, estive a rever o filme “Lua de mel, Lua de Fel” ou “Bitter Moon”.
Publicado em 1981 o romance de Pascal Bruckner foi adaptado ao cinema por Roman Polanski em 1992. O autor de “A Semente do Diabo” ou “Chinatown” consegue projectar, neste filme, todo um universo emocional obsessivo, demencial e alucinante, de uma forma única e fascinante, como só ele consegue
Trata-se de uma história interessantíssima que se passa entre um homem e uma mulher que……"foram demasiado ambiciosos".
Este filme que vi pela 1ª vez com os meus 20 e poucos anos, continua a ser um marco do cinema, quer pelo seu grande realizador, quer pelas interpretações excessivas, mas que só assim conseguem transpor, e mostrar o pretendido: a natureza crua da mulher e do homem.
A história em traços gerais é a seguinte: dois casais: Óscar e Mimi, Nigel e Fiona.
- Óscar: um escritor americano, nunca publicado, já paraplégico, e que em tempos fora um bon vivant, homem independente, amargurado e cínico que se perdera num amor louco, repleto de sexo, desejo, obsessão, sadismo e com um cariz de extrema violência psicológica.
- Mimi: uma rapariga francesa belíssima, carente, que nunca se encontrou, e que se apaixona por um homem que chegará, além de tudo, "a lhe comer a alma", deixando-a cair num espiral de auto-destruição.
- Nigel: um inglês reprimido que resolve passar uns dias num cruzeiro com a mulher e se depara com um relato de uma história, no mínimo, sórdida, mas alucinante que o enche de desejo por uma mulher que não é a sua.
- Fiona: mulher de Nigel, apaziguada, conformada e resignada com a vida que possui ao lado do marido.
Óscar prende a atenção de Nigel durante toda a viagem contando-lhe, pormenorizadamente, a sua relação destrutiva e atribulada, mas, altamente, compensada pela componente de sexo e desejo onde não existiam barreiras para a imaginação e para a fantasia.
Num misto de aversão, desejo, curiosidade e com a promessa velada de poder vir a possuir Mimi…Nigel transforma-se num fiel ouvinte.
E o filme é isso: o relato tempestuoso e lascivo de uma relação onde um homem se torna dono e, ao mesmo tempo, escravo de uma mulher e a mulher se entrega de corpo e alma a esse homem…
A componente sádica e cínica de Óscar ao fim de algum tempo revela-se, muito em consequência da saturação, da rotina de ter uma só mulher, de viverem um para o outro, sem reversas de qualquer tipo, 24 horas por dia. Como ele bem nos conta: “Eu via-a deitada…via o seu corpo belo e voluptuoso e já não sentia nada…culpava-me a mim e a ela…sentia por nós um grande ressentimento….ir-me deitar, ao fim de algum tempo, tornou-se um sacrifício”.
Com a mulher, deste casal, nada disto se passava...pelo contrário, deixou de ter vida própria, vivia para ele única e exclusivamente, continuava a amá-lo ardentemente, um amor doentio, destrutivo...era ele o objecto do seu desejo….e com esta cegueira ou com este não querer ver… não se apercebeu que o fim há muito, tinha chegado.
Mais tarde, acaba por sair do apartamento dele…durante o tempo em que estiveram separados ele reviveu uma sensação de pura liberdade, independência, mais mulheres e todo o reviver de vida boémia a que sempre esteve habituado…claro que teve saudades dela, mas a sua liberdade estava acima de tudo.
Ela, por seu turno, não conseguiu viver sem ele ao ponto de lhe implorar para que a deixasse voltar. De tanto rastejar, e implorar o seu amor, ao ponto de ir dormir à sua porta, ele deixa-a voltar...na esperança que seja ela a querer sair...
Desta forma, ela abnega de tudo...mesmo tudo, essencialmente, de si, do seu respeito e amor-próprio, submetendo-se a todo o tipo de canalhice e humilhação que ele, com ardor, lhe impõe. A sua falta de auto-estima revelam-se em todo o seu ser, desde o desleixo com a roupa, com a aparência, ao deixar de viver, e por fim…o aborto como moeda de troca para não perder o seu (mal) amor.
A partir daqui, a história toma outro rumo... depois de uns tempos desaparecida, a curar-se física e psicologicamente, o amor de Mimi transforma-se…e esta condena o seu amante a uma existência amargurada e desprovida de sentido…fazendo com que ele prove, também, o travo amargo da (des) paixão, ao ponto de o ir ver ao hospital, torná-lo paraplégico e lhe dar esta notícia, assegurando-lhe que a partir daquele momento, ele iria estar para sempre dependente dela, e dos seus cuidados...
Note-se que ela, mesmo com todo o seu sadismo e desejo de vingança, de uma forma ou de outra, nunca o conseguiu abandonar.
Aqui, neste amor perigoso e atípico e, sem dúvida, levado ao extremo, consegue-se perceber a natureza do homem e a natureza da mulher…ou não?
O filme acaba com o assassinato de Mimi perpetrado por Óscar que em seguida se suicida.
Sejamos loucos, apaixonados, fogozos, capazes de rasgos e manifestações de amor…mas sem nunca perder o amor próprio, e aquele espírito de liberdade que nos permite ser tudo o que somos, com quem queremos ser...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Desculpas esfarrapadas...Em pleno sec. XXI, não obrigado!
(enviaram-me este texto vindo de um outro blog feminino. Colei-o aqui, na íntegra para algumas amigas que teimam em colocar as culpas nelas próprias, em vez de abrirem os olhos e aceitarem a realidade... e para alguns amigos que pensam que as mulheres acreditam em tudo o que lhes vendem...)
(...)"Ao passear pela blogosfera, leio um post do "inimigo" onde se justificava a procura dos homens por prostitutas, devido ao facto de as mulheres deixarem de "fazer pressão para o sexo" depois do casamento, uma vez que, segundo aquelas mentes brilhantes, já não precisavam de o fazer.
Como não sou dona da verdade e da razão, tento sempre informar-me junto de outras pessoas e saber se sou caso único ou não. Depois de lhes deixar lá um comentário em conformidade e após alguma reflexão e conversas com elementos do sexo feminino, confirmo o que já sabia. Como sempre, não vou falar de excepções, mas sim da maioria!
E a maioria das mulheres diz que não está satisfeita com a sua vida sexual com os maridos/viventes etc., por eles terem perdido o interesse.
Todas dizem que a frequência se vai espaçando cada vez mais e algumas até deixaram de tomar a pílula por acharem que não vale a pena, dada a raridade do evento. Que gostam muito deles, mas que se começam a interrogar se existe outra pessoa ou se, de repente, eles as deixaram de achar atraentes.
Quando o homem que nós gostamos se recusa a fazer sexo, amor, connosco ou foge a sete pés da coisa, a mulher acha sempre que a culpa é dela própria!
Quando o inverso se verifica, o resultado é o mesmo. O homem também acha que a culpa é dela! Parece que estamos de acordo numa coisa: a culpa de não haver sexo em casa é da mulher...
Ironias à parte, creio que os homens andam perdidos com o seu novo papel na vida. Se dantes, eram o principal sustento da casa, há muito que esse domínio se foi atenuando. Se dantes, só as mulheres se embonecavam, hoje em dia, basta ir jantar fora para se perceber que os papéis quase se inverteram.
Na semana passada, numa revista de actualidade, o tema de capa era sobre as infidelidades femininas, como se processam e por que acontecem. Aconselho vivamente a leitura do artigo. Quanto mais não seja para reflectir. Porque justificar a busca de prostitutas com a ausência de interesse por parte da mulher, cheira-me a cobardia e de que maneira!
Não será, antes, por as prostitutas fingirem que estão a gostar – por serem pagas para isso – e as mulheres com quem eles vivem já não precisarem de o fazer?
Na maioria das vezes, são as mulheres que se lembram de ir para o motel "x", são elas que compram a lingerie sexy, são elas que procuram nas sex-shops algo que apimente a relação.
Os homens vão às sex-shops para mais uma "sarapitola" com as revistas e filmes que compraram.
Nós vamos à sex-shop para comprar afrodisíacos, óleos e objectos de prazer. (Isto são factos estatísticos dos proprietários das ditas lojas).
Por isso, meus caros, pensem bem no que andam a fazer. E, principalmente, pensem no que não andam a fazer. Porque há sempre, mais tarde ou mais cedo, quem o faça por vocês...
Começo por dizer que não percebo esta conversa das desculpas. Se querem, querem, se não querem, digam, que com certeza, há mais quem queira! Mas adiante...
Uma das "desculpas" usadas pelos homens era algo como: "tás a precisar de perder uns quilinhos...". Ora se um homem me dissesse uma destas, é certo que não teria sexo nessa noite. Nem na noite a seguir. Nem na semana seguinte. E nem no milénio seguinte!
Será possível que há quem diga isto a uma mulher?? Prefiro acreditar que esta referência não passou de liberdade criativa do autor e que, na verdade, estas coisas não acontecem. Nenhum homem no seu juízo perfeito se saíria com uma destas, sob o elevado risco de acordar à laia de Bobbit. E isso, já são coisas que acontecem!
De dores de cabeça ao cansaço, do stress aos problemas no trabalho (esta última apresentada como a mais eficaz para ambos os sexos), tudo é válido para quem não está com apetites.
Sei que não sou sexóloga, mas parece-me que quando se perde o interesse sexual é porque se perderam outros interesses. Ponto! Claro que há fases complicadas na vida, mas essas são notórias e as pessoas apercebem-se delas. E quem tem bom-senso, respeita.
Já dores de cabeça sucessivas, parece-me até insultuoso! Embora, por vezes, achemos que somos os mais espertos da freguesia e que os outros são todos uns idiotas chapados, nem sempre isso é verdade. A verdade é que nos podemos andar a enganar a nós próprios. E as desculpas podem não ser mais do que o camuflar de algo mais que precisamos fazer e não temos coragem.(...)"
(E está aberto o debate...)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Deficiências
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direcção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser "miserável", pois:
A amizade é um amor que nunca morre.
(Mário Quintana)
terça-feira, 2 de junho de 2009
Em jeito de resposta, Para Ti! - SEMPRE
You could be my unintended
Choice to live my life extended
You could be the one I'll always love
You could be the one who listens to my deepest inquisitions
You could be the one I'll always love
I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before
First there was the one who challenged
All my dreams and all my balance
She could never be as good as you
You could be my unintended
Choice to live my life extended
You should be the one I'll always love
I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before
I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken pieces of the life I had before
Before you
terça-feira, 26 de maio de 2009
Para ti, "Baby"!
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão que podia ser meu para sempre"(...)
(Miguel Sousa Tavares)
sexta-feira, 22 de maio de 2009
O passado não volta. Nunca!
(Johan Wolfgang Von Goethe)
quinta-feira, 14 de maio de 2009
De bem com a vida
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não
esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela
vá à falencia.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e periodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oasis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da Vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter seguranca para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
(Fernando Pessoa)
terça-feira, 12 de maio de 2009
"Pais Maus"
Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva um pai, eu hei-de dizer-lhes:
- Amei-vos o suficiente para ter insistido para que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidades de a comprar.
- Amei-vos o suficiente para ter ficado em pé junto de vós, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto – trabalho que eu teria realizado em quinze minutos.
- Amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar o que “tiraram” da mercearia e dizer ao dono: eu roubei isto ontem e hoje queria pagar.
- Amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.
- Amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas acções, mesmo quando as penalizações eram tão grandes que me partiam o coração.
- Amei-vos o suficiente para vos ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressam a casa.
- Amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.
- Mas, acima de tudo, eu amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO, quando sabia que iriam odiar-me por isso.
Estou contente. Venci, porque no final vocês também venceram. E qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês irão dizer-lhes, quando eles vos perguntarem, se os vossos pais eram maus, que sim, que eram os piores pais do mundo!, porque:
- Enquanto os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço, nós tínhamos que comer cereais, tostas e ovos.
- Os outros miúdos bebiam Pepsis ao almoço e comiam batatas fritas, enquanto nós tínhamos que comer sopa, prato e fruta. E não vão acreditar! Os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, o que era bem diferente dos outros pais.
- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas, era quase uma prisão. Tinham que saber quem eram os nossos amigos e que fazíamos com eles.
- Insistiam em que lhes disséssemos que íamos sair mesmo que demorássemos só uma hora, ou menos.
- Nós tínhamos vergonha de admitir mas eles violaram uma data de leis trabalho infantil: nós tínhamos que fazer as camas, lavar a loiça, aprender a cozinhar, aspirar o chão, engomar a nossa roupa, ir despejar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Eu acho que eles nem dormiam, a pensar em mais coisas para nos mandar fazer.
- Eles insistiam connosco para que lhes dizermos a verdade, e apenas toda a verdade, sempre a verdade.
- Na altura da nossa adolescência eles conseguiam ler os nossos pensamentos o que tornava a vida mesmo chata.
- Os nossos pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham que subir, bater à porta para eles os conhecerem.
- Enquanto toda a gente podia sair com doze ou treze anos, nós tivemos que esperar pelos dezasseis.
- Por causa dos nossos pais, nós perdemos experiências fundamentais da adolescência: nenhum de nós esteve alguma vez envolvido em actos de vandalismo, nem roubos, violação de propriedade, nem foi preso por algum crime.
Foi tudo por causa deles.
Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “maus pais” tal como os nossos pais o foram.
Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes maus pais!
Este texto não é meu, mas dedico-os aos meus Pais, Obrigado por terem sido tão "maus Pais!" ás vezes, deveriam ter sido piores! Hoje em dia, espero ter coragem para ser a "pior Mãe do Mundo"!!!!
segunda-feira, 11 de maio de 2009
quarta-feira, 29 de abril de 2009
"Baby"
O tempo é pouco, e a inspiração não vem! Deve ser por causa dos vírus e viroses ou das variações climáticas! Sei lá!
Hoje em dia, virou moda colocar as culpas de tudo, nos outros, ou quando não os há, ou não o podemos fazer, no tempo!
Entretanto, adoptei um cão, uma linda e meiga cachorrinha! A nossa cachorrinha! Que eu há tanto tempo queria, o meu mais que tudo ansiava, e as nossas filhotas desejavam.
Normalmente quando os adultos compram um cão aos filhotes fazem-no com nobres propósitos: as crianças ficarão encarregues do animal, assumirão a responsabilidade de cuidar de um ser vivo numa fase importante do seu processo de crescimento, o cão ajudá-los-á a crescer e a tornarem-se menos egoístas, esse tipo de coisas.
Mas como não o adoptei a pensar nessas tretas, tinha a plena consciência de todo o bem que mais um ser vivo nos ia fazer, mas nem por um minuto esqueci de toda a abordagem e contextualização, e dos momentos (muitos) em que o cão faz xixi e cocó.
Os cães são seres vivos dotados de um aparelho digestivo que não só funciona muito bem como funciona em qualquer sítio, a qualquer hora. É como se tivéssemos em casa, um ser que está a testar um novo produto laxante.
Confesso que nestas alturas, as nobres razões que nos levaram a adoptar o cão, e o pretexto que ia ser benéfico para as criancinhas mostram a sua verdadeira importância: exacto, nenhuma.
Enquanto os nossos anjinhos continuam a desfrutar da companhia do cãozinho – limpo, vacinado, desparasitado, brincalhão, meigo e com aquele olhar doce de morrer, e claro está, satisfeito dos intestinos – cabe aos diligentes pais fazer aquilo em que se julgam incontestáveis especialistas: ralhar com o animal, mostrar-lhe onde deve fazer as suas necessidades (no seu tom firme e inequívoco “aí não”, “aqui, sim”, e limpar a trampa com uma mola no nariz.
Há quem diga que devemos dar-lhe umas palmadinhas para ele aprender. Mas o cachorro além de ser uma menina, olha para nós como só ele consegue! Sim, tentem ter uma valente zanga com o vosso/a mais que tudo, e de seguida lancem-lhe um olhar enternecedor, o mais parecido que consigam, ao olhar destes 4 patas! Tempo perdido, meus amigos! Garanto-vos! Só eles o conseguem. É um dom único e inato!
A primeira vez que tentei impor a minha autoridade à base da palmada, estava com tanto medo de magoar a cachorra que as minhas palmadas devem ter parecido festinhas: aliás, nos minutos seguintes a cachorrinha seguiu-me aos pulos, muito satisfeita, à espera que lhe desse mais uma daquelas palmadas tão divertidas. Eu a querer educá-la e ela a interpretar o gesto como uma manifestação de amor sadomasoquista. Mas isto já começa a ser típico entre mim e os animais de estimação. Todos pensam que devo ser mais um amiguinho de brincadeiras, e lá de vez em quando, reconhecem-me como a dona, ou a “mãe adoptiva”. Falta-me a voz máscula e o ar sério da autoridade!
Na segunda, terceira e quarta vez (note-se, no mesmo dia!), deixei-me vencer pelo cheiro, e pelo gesto repetitivo de qual gata borralheira, de esfregona em punho, e experimentei dar-lhe uma palmada com mais força. A cachorrinha ganiu como se eu a estivesse a amputar algum membro, e eu senti-me uma Guliver no reino de Liliput, torturando a pobre e indefesa criatura. Até a minha filhota se juntou à cachorrinha no reino de Liliput, ao crucificar-me por tal acto de crueldade e dizendo: “Oh Mãe, ela é bebé, não vês?”
Quanto ao jornal, leva-nos para outras divagações! Além do jornal enrolado para o assustar com o barulho, há o jornal que desde o primeiro dia, queremos que ele compreenda que é o local ideal, próprio para fazer as suas necessidades. Ora, Que tipo de jornal devo usar? Haverá diferença entre bater-lhe com o Público ou o Correio da Manhã? Dou-lhe com uma crónica do Miguel Sousa Tavares no lombo ou surtirá mais efeito, uma reportagem sobre o caso do Freeport?
Já para lhe indicar o local indicado para defecar e urinar, sem dúvida que escolho o Expresso, quer pelo seu tamanho, quer pelos suplementos, e porque mesmo nestes momentos, dou a melhor informação à cachorrinha (publicidades à parte!).
Têm sido uns dias engraçados! Entre um acordar com sôfregas lambidelas que nos ocupam metade da face, e 2 minutos depois, o ralhar de jornal em punho a dizer “aqui não”!
Pobre cachorra, e pobres donos! Andamos desfeitos, sempre à procura do melhor desinfectante com cheiro agradável à mistura, na esperança de encontrar na net, um código de instruções de “como ensinar o seu cachorro a fazer as necessidades no mesmo local, em dois dias”, ou “ porque não nascem os cachorros ensinados”, ou melhor ainda, porque não transformar um cachorro num gato, e usar a mesma box para fazer as necessidades fisiológicas?
