quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Edifícios Modernos

Hoje em dia, os edifícios são, cada vez mais sofisticados, apetrechados de insignificâncias que usamos meia dúzia de vezes, e que após saciada a curiosidade, ficam no esquecimento!
Ele é som ambiente, ele é aspiração central, ele é luz ambiente, e tantas outras panóplias de insignificâncias, que de certo preencherão, o já por si, cheio, saturado dia-a-dia!
Estou mesmo a imaginar qualquer um de nós, chegados de mais um dia de trabalho, e ir ligar, um por um, todos esses botões pós-modernos!
Nestes apartamentos modernos tudo tresanda a tecnologia, a informação! Todos os quartos têm televisão, DVD, sistemas de som, sem esquecer o insubstituível portátil e claro, o telemóvel - este último, anda connosco de divisão para divisão! nos quartos dos miúdos, não faltam as consolas, as play-station, as nintendo, e claro, 1001 jogos para os mesmos!
Até nas cozinhas, além de todos os aparelhos que nos facilitam o dia a dia, também não faltam, invariavelmente, a televisão, e a aparelhagem de som
Mas na grande maioria destes apartamentos, há um ou outro, defeito de construção! A construção é fraca, e os materiais de pouca qualidade
São apartamentos com tudo, mas que balançam, que tremem, que ficam com fendas nas paredes, ao mais pequeno sismo!
Paredes essas que são tão finas, que se consegue ouvir o programa que está a dar no canal do plasma do vizinho do lado
Paredes, tectos e pisos que são fruto de uma construção célere, porém defeituosa! Construção que cresceu ao sabor da densidade populacional, e não da qualidade
Mas é a construção que tão bem espelha as relações actuais. Relações também elas céleres, em que se preza a quantidade em deterimento da qualidade e da estabilidade
Relações em que à menor chuva e/ou ventania, abrem fendas!
Quer numas, como noutras, faltou o essencial: o cimento, os alicerces! Sem eles, tudo desaba, por mais que se vão remendando as fendas!
Até que um dia, o edifício desmorona-se por completo! E das duas, uma: Ou se faz uma reconstrução, mantendo a traça original! Ou se destrói o que resta dele, para um dia, dos seus destroços, nascer um gigantesco centro comercial

2 comentários:

Aninhas disse...

Continuas a escrever......em grande!
Adoro.
Bjos.

João Pinto disse...

Mais um texto muito bem escrito e conseguido!
Excelente a analogia e a forma como consegues dar credibilidade à tua ideia!

E concordo contigo em todos os aspectos!!

No entanto, ao contrário do espírito feminino que vê numa fenda o desmoronar do edifício ou do castelo de fadas, julgo que todos os prédios têm fendas, problemas com a pintura, canos mais ou menos problemáticos, chão que necessita de ser afagado ou aperfeiçoado, etc!!

Mesmo os de melhor construção!

E prosseguindo com a analogia:
A diferença essencial entre os prédios (relacionamentos)reside, então, na vontade e capacidade dos seus moradores saberem naturalmente que essas situações são inevitáveis e tratarem de as reparar de modo a deixar o imóvel no melhor estado possível.

E terem orgulho nas paredes pintadas de novo, nos canos colocados, nos azulejos modificados, no chão afagado recentemente, mesmo que saibam que ainda lhes falta substituir o mobiliário da casa de banho, as janelas dos quartos e as portas das assoalhadas.

E não ficarem em estado de pânico e desgraça total porque, por causa de uns tacos levantados na sala, uma fendas na parede e uma humidade na casa de banho, lhes parece que o prédio corre risco de ruína total!!!

Tal e qual como nos relacionamentos!!

Amo-te muito minha querida!!

Beijos grandes