quarta-feira, 29 de abril de 2009

"Baby"

O tempo é pouco, e a inspiração não vem! Deve ser por causa dos vírus e viroses ou das variações climáticas! Sei lá!

Hoje em dia, virou moda colocar as culpas de tudo, nos outros, ou quando não os há, ou não o podemos fazer, no tempo!

Entretanto, adoptei um cão, uma linda e meiga cachorrinha! A nossa cachorrinha! Que eu há tanto tempo queria, o meu mais que tudo ansiava, e as nossas filhotas desejavam.

Normalmente quando os adultos compram um cão aos filhotes fazem-no com nobres propósitos: as crianças ficarão encarregues do animal, assumirão a responsabilidade de cuidar de um ser vivo numa fase importante do seu processo de crescimento, o cão ajudá-los-á a crescer e a tornarem-se menos egoístas, esse tipo de coisas.

Mas como não o adoptei a pensar nessas tretas, tinha a plena consciência de todo o bem que mais um ser vivo nos ia fazer, mas nem por um minuto esqueci de toda a abordagem e contextualização, e dos momentos (muitos) em que o cão faz xixi e cocó.

Os cães são seres vivos dotados de um aparelho digestivo que não só funciona muito bem como funciona em qualquer sítio, a qualquer hora. É como se tivéssemos em casa, um ser que está a testar um novo produto laxante.
Confesso que nestas alturas, as nobres razões que nos levaram a adoptar o cão, e o pretexto que ia ser benéfico para as criancinhas mostram a sua verdadeira importância: exacto, nenhuma.

Enquanto os nossos anjinhos continuam a desfrutar da companhia do cãozinho – limpo, vacinado, desparasitado, brincalhão, meigo e com aquele olhar doce de morrer, e claro está, satisfeito dos intestinos – cabe aos diligentes pais fazer aquilo em que se julgam incontestáveis especialistas: ralhar com o animal, mostrar-lhe onde deve fazer as suas necessidades (no seu tom firme e inequívoco “aí não”, “aqui, sim”, e limpar a trampa com uma mola no nariz.


Há quem diga que devemos dar-lhe umas palmadinhas para ele aprender. Mas o cachorro além de ser uma menina, olha para nós como só ele consegue! Sim, tentem ter uma valente zanga com o vosso/a mais que tudo, e de seguida lancem-lhe um olhar enternecedor, o mais parecido que consigam, ao olhar destes 4 patas! Tempo perdido, meus amigos! Garanto-vos! Só eles o conseguem. É um dom único e inato!

A primeira vez que tentei impor a minha autoridade à base da palmada, estava com tanto medo de magoar a cachorra que as minhas palmadas devem ter parecido festinhas: aliás, nos minutos seguintes a cachorrinha seguiu-me aos pulos, muito satisfeita, à espera que lhe desse mais uma daquelas palmadas tão divertidas. Eu a querer educá-la e ela a interpretar o gesto como uma manifestação de amor sadomasoquista. Mas isto já começa a ser típico entre mim e os animais de estimação. Todos pensam que devo ser mais um amiguinho de brincadeiras, e lá de vez em quando, reconhecem-me como a dona, ou a “mãe adoptiva”. Falta-me a voz máscula e o ar sério da autoridade!

Na segunda, terceira e quarta vez (note-se, no mesmo dia!), deixei-me vencer pelo cheiro, e pelo gesto repetitivo de qual gata borralheira, de esfregona em punho, e experimentei dar-lhe uma palmada com mais força. A cachorrinha ganiu como se eu a estivesse a amputar algum membro, e eu senti-me uma Guliver no reino de Liliput, torturando a pobre e indefesa criatura. Até a minha filhota se juntou à cachorrinha no reino de Liliput, ao crucificar-me por tal acto de crueldade e dizendo: “Oh Mãe, ela é bebé, não vês?”

Quanto ao jornal, leva-nos para outras divagações! Além do jornal enrolado para o assustar com o barulho, há o jornal que desde o primeiro dia, queremos que ele compreenda que é o local ideal, próprio para fazer as suas necessidades. Ora, Que tipo de jornal devo usar? Haverá diferença entre bater-lhe com o Público ou o Correio da Manhã? Dou-lhe com uma crónica do Miguel Sousa Tavares no lombo ou surtirá mais efeito, uma reportagem sobre o caso do Freeport?

Já para lhe indicar o local indicado para defecar e urinar, sem dúvida que escolho o Expresso, quer pelo seu tamanho, quer pelos suplementos, e porque mesmo nestes momentos, dou a melhor informação à cachorrinha (publicidades à parte!).


Têm sido uns dias engraçados! Entre um acordar com sôfregas lambidelas que nos ocupam metade da face, e 2 minutos depois, o ralhar de jornal em punho a dizer “aqui não”!

Pobre cachorra, e pobres donos! Andamos desfeitos, sempre à procura do melhor desinfectante com cheiro agradável à mistura, na esperança de encontrar na net, um código de instruções de “como ensinar o seu cachorro a fazer as necessidades no mesmo local, em dois dias”, ou “ porque não nascem os cachorros ensinados”, ou melhor ainda, porque não transformar um cachorro num gato, e usar a mesma box para fazer as necessidades fisiológicas?

Mas, sem dúvida que tudo isto vale a pena, porque quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais!

terça-feira, 28 de abril de 2009

I would do anything for love

"Apaga-me os olhos: inda consigo ver-te,

Tranca-me os ouvidos: inda posso ouvir-te,

E sem pés posso ainda ir para ti,

E sem boca posso ainda invocar-te.

Quebra-me os braços, e posso apertar-te

Com o coração como com a mão,

Tapa-me o coração, e o cérebro baterá,

E se me deitares fogo ao cérebro

Hei-de continuar a trazer-te no sangue"

Rainer Maria Rilke

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dá-me sede!

Dá-me sede
Dá-me voz
Dá-me algo que te prenda

Traz-me sono
Traz-te a ti
Traz-me algo, estou sem tempo

E quando estou contigo és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim

Faz-me fraco
Faz-me rir
Faz algo mais que fugir

Traz-me medo
Traz-te a ti
Traz-me algo, estou sem tempo

E quando estou contigo és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim

E quando estou contigo és quem me faz parar de respirar
E quando estás comigo és tudo o que há em mim
Quero-te assim
Quero-te só pra mim
Quero-te só pra mim

Quero-te só pra mim...