terça-feira, 9 de março de 2010

Lembrando "Novos Contos da Montanha", de Miguel Torga

Sempre que relembro esta história que li pela primeira vez, há anos, inevitavelmente me vêm à lembrança outras histórias. Tão reais. Histórias que podiam ter sido e não foram. Não por falta de amor ou de algo maior. Mas por falta de coragem. Por falta de uma palavra, de uma atitude, por falta de qualquer coisa que fizesse durar e deixar que esse amor seguisse em frente. O esvoaçar de mil borboletas no estômago que nem sempre nos deixam ver mais além. Histórias que ficam sem futuro para contar por falta de alguma coisa. Por vezes é assim... falta sempre alguma coisa... São os destinos que poderíamos ter e não temos. Que escolhemos em cada hora. Quando temos oportunidade, quando nos dão oportunidade sem saber sequer que a estamos a ter ou outras vezes, em que temos que lutar por uma oportunidade e fazer alguma coisa por esse amor. Mil destinos que podíamos ter, nesse instante. Que nos fazem passar a vida muitas vezes sem pensar mais nisso, e noutras a perceber que ficou por viver apenas porque nada se fez por isso... Amar, só, não basta. É preciso ter coragem para viver esse amor. Coragem para amar de novo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Os outros são só paisagem...

"Dos outros, nada me interessa. Dos que me rodeiam e se me insinuam, puxando daqui, empurrando de acolá, acotovelando-me gentilmente a atenção, nem dou conta.
Não importa se me oferecem flores, jantares caros, palavras difíceis ou sorrisos únicos, nem se me cantam, ao ouvido esquerdo, a canção do bandido, ou me sussurram, ao direito, clichés repisados, descobertas científicas e verdades absolutas.
Relevo-lhes a poesia medíocre e a prosa sentida, trespasso-lhes as transparências e vou à minha vida, que és tu.
Não me tento por desvios ínvios ou atalhos fáceis, não cedo a distracções de feira nem a truques para inglês ver e ignoro olimpicamente o barulho das luzes, nesta concentração absoluta no propósito de te amar.
Os demais não te obstaculizam, simplesmente, não existem, de facto: detenho-me na tua omnipresença e isso por agora me basta.
O Amor não me cega, antes, priva-me de qualquer visão periférica." (...)

A Insustentável leveza do ser

"O mais pesado dos fardos nos esmaga; sob seu peso, afundamos, somos pregados ao chão. E, no entanto, na poesia amorosa de todas as épocas, a mulher anseia por sucumbir ao peso do corpo do homem. O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras.


Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes.

O que escolheremos então? O peso ou a leveza?" (Milan Kundera)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo, Década Nova

Estamos no primeiro dia do ano, no primeiro dia de uma nova década.

Esta década trouxe-me muitas coisas. Trouxe-me 1 filha linda. Teimosa, com momentos difíceis, mas linda e única!

Durante esta década vivi momentos únicos, inúmeras experiências pessoais e profissionais. Tive óptimos empregos, mantive e fortaleci as minhas amizades, conheci novas pessoas, fiz novas amizades e conhecimentos, passei por locais e países diferentes que me tornaram uma pessoa mais rica, mais flexível, mais conhecedora do mundo e dos outros

Foi nesta década que troquei o automóvel desportivo por uma carrinha familiar. Foi nesta década que comprei casa, e que fiz investimentos a médio e longo prazo

Foi nesta década que a descontracção, loucura e despreocupação, aos poucos foram dando lugar, ao compromisso, responsabilização e estabilidade

Foi nesta década que me casei. Que me divorciei. Que me apaixonei. E que me juntei

Foi nesta década que (finalmente) deixei de acreditar na bondade, e que me consciencializei que a maioria das pessoas são e estão providas de segundas intenções.

Entrei no ano 2000 com 27 anos, entro em 2010 com 37.

Entrei em 2000 a acreditar que tinha toda a vida à minha frente, e que bastava continuar a lutar pelos meus sonhos e objectivos para os conseguir.

Saio desta década a saber que afinal, não é bem assim. Não desisti de nenhum sonho e/ou objectivo (alguns já concretizados). Mas tenho a noção que existem adversários e obstáculos a contornar

Este último ano foi difícil, teve alguns reveses pessoais e profissionais. Aprendi com alguns. Sofri com outros. Espero que ao longo deste ano, consiga edificar e cimentar os alicerces para uma década que, espero excelente

Estou longe de ser quem gostaria, em todos os aspectos e a todos os níveis. Gostava muito de ser uma pessoa melhor. Espero consegui-lo ao longo da década que hoje começa.

Uma década em que independentemente das estradas e caminhos que atravesse, atinja o verdadeiro equilíbrio entre o meu ser e o meu querer

Uma década em que espero ser, dia após dia, ano após ano, melhor Mãe, melhor Mulher, melhor Amiga e melhor profissional.

Uma década que infalivelmente irá ter perdas, mas que espero repleta de conquistas e certezas

Desejo a todos os que cá passam (e aos que não passam também!)

Um EXCELENTE 2010!

com muita saúde, amor, paz, alegria, e claro, dinheiro q.b. e sexo escaldante!!